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Sem Cláudio Castro e com Canella sob investigação, quem vai representar a direita na disputa pelo Senado no Rio?

  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Com o xadrez eleitoral completamente alterado, nome de Carlos Jordy ganha força para o senado, enquanto Marcelo Crivella e Carlos Portinho aparecem como alternativas para liderar a direita na disputa.



A inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL) e o avanço da Operação Unha e Carne contra Márcio Canella (UNIÃO BRASIL) embaralham o tabuleiro político da direita fluminense para a disputa ao Senado em 2026. Enquanto Castro, que chegou a ser apontado como o principal nome do campo conservador para uma das vagas, foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Canella passou a enfrentar um novo desafio após se tornar alvo da sexta fase da operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro.



O cenário muda significativamente para o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que agora precisa reavaliar sua estratégia para uma das eleições mais importantes. Além da disputa por cadeiras no Senado, a direita trata a formação da futura bancada como peça central para fortalecer sua atuação no Congresso.


Até poucas semanas atrás, Cláudio Castro era considerado um dos principais pré-candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro. No entanto, a condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, que resultou em sua inelegibilidade até 2030, retirou seu nome da disputa, embora o ex-governador ainda busque reverter a decisão na Justiça.


A situação de Márcio Canella também passou a gerar incertezas. O prefeito de Belford Roxo vinha intensificando sua movimentação política com vistas à disputa pelo Senado, mas entrou no radar da Polícia Federal após ser alvo de mandado de busca e apreensão na sexta fase da Operação Unha e Carne. Segundo a investigação, uma organização criminosa teria movimentado cerca de R$ 7,6 bilhões utilizando empresas do setor de combustíveis para ocultar recursos de origem ilícita. A investigação ainda está em andamento e, até o momento, não há condenação contra Canella. Ainda assim, o avanço do caso pode influenciar o cenário eleitoral e a viabilidade de sua pré-candidatura.


Com dois dos nomes mais fortes da direita enfrentando obstáculos distintos, a sucessão conservadora ao Senado passa a ser alvo de intensa especulação.


Quem ganha força nesse novo cenário?


Um dos nomes que voltam ao debate é o de Marcelo Crivella (REPUBLICANOS). Após decisão do ministro André Mendonça suspendendo os efeitos de sua inelegibilidade, o ex-prefeito do Rio recuperou, ao menos por enquanto, a possibilidade de disputar as eleições de 2026.


Crivella possui um ativo político que poucos candidatos têm no estado: forte identificação com parte expressiva do eleitorado evangélico. Em um cenário em que a deputada federal Benedita da Silva aparece como possível candidata da esquerda ao Senado, Crivella tende a disputar diretamente esse segmento religioso, especialmente entre eleitores que rejeitam o PT.


Apesar disso, sua eventual candidatura enfrenta obstáculos políticos. Embora mantenha boa relação institucional com a família Bolsonaro, Crivella nunca integrou o núcleo mais fiel do bolsonarismo. Além disso, uma candidatura pelo Republicanos dependeria de um entendimento com o PL, partido que tradicionalmente busca ocupar protagonismo na disputa ao Senado e dificilmente abriria mão de indicar um de seus próprios candidatos.


Dentro do PL, um dos nomes possíveis é o senador Carlos Portinho. Atual líder do partido no Senado, Portinho possui trânsito entre as principais lideranças nacionais do partido e conta com a confiança do grupo político de Jair Bolsonaro. Sua atuação técnica e o bom relacionamento interno são vistos como pontos positivos.


Por outro lado, Portinho ainda enfrenta um desafio eleitoral: apesar da relevância no Congresso Nacional, seu nível de conhecimento junto ao eleitorado fluminense permanece relativamente limitado quando comparado a outras lideranças da direita.


Outro nome que ganha força é o do deputado federal Carlos Jordy (PL).

Conhecido pelo perfil combativo e por sua atuação de oposição ao governo federal, Jordy consolidou-se como uma das principais vozes do bolsonarismo no estado. Em 2024, protagonizou uma disputa acirrada pela Prefeitura de Niterói, levando a eleição para o segundo turno contra Rodrigo Neves, que acabou eleito por margem apertada.


Além da forte identificação com a base conservadora, Jordy reúne características consideradas estratégicas para uma eleição majoritária: possui maior reconhecimento popular do que outros nomes do partido, forte presença nas redes sociais e capacidade de mobilizar o eleitorado bolsonarista, especialmente na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.


Caso o PL opte por uma candidatura de maior apelo popular, Jordy pode surgir como uma alternativa competitiva para ocupar o espaço deixado por Cláudio Castro e pelas incertezas em torno de Márcio Canella.


Embora ainda seja cedo para cravar quem representará a direita na disputa pelo Senado, o fato é que o cenário mudou profundamente nas últimas semanas. A inelegibilidade de Cláudio Castro e os desdobramentos da Operação Unha e Carne reduziram as opções inicialmente consideradas favoritas e obrigam o campo conservador a redesenhar sua estratégia.


Nos bastidores, a tendência é que as próximas decisões do PL e da família Bolsonaro sejam determinantes para definir quem terá a missão de liderar a direita fluminense em uma das disputas mais estratégicas das eleições de 2026.

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