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Pastor da Universal sai em defesa de Benny Briolly na Câmara de Niterói

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Enquanto Douglas Gomes empunha a bandeira da sua fé, Pastor Maurício surpreende ao defender Benny Briolly.



As galerias da Câmara Municipal de Niterói estão habituadas ao tradicional embate ideológico entre os vereadores Douglas Gomes (PL) e Benny Briolly (PSOL). No entanto, o desdobramento da última sessão de terça-feira (25) trouxe um elemento inusitado para o tabuleiro político niteroiense: a postura do Pastor Maurício (REPUBLICANOS).


O estopim foi a fala incisiva de Douglas Gomes que, ao rebater posicionamentos de Briolly, utilizou uma metáfora do universo pentecostal para classificar o discurso da parlamentar. Em tom de confronto, Gomes disparou:

"A pessoa que me antecedeu fez uma fala cheia de ódio, de rancor... Cadê pastor Maurício? Olha, se é um culto de terça-feira, de libertação, cai, hein?"

A declaração, uma clara alusão aos ritos de expulsão de entidades espirituais, sugeria que a postura de Benny seria incompatível com o ambiente cristão. O que se esperava ser apenas mais um capítulo da polarização local ganhou novos contornos na quinta-feira (26), quando o Pastor Maurício, que não estava presente no momento da fala de Douglas, utilizou a tribuna para uma defesa enfática de Benny Briolly.


A resposta do Pastor Maurício — afirmando que respeita todas as religiões e orientações e que, se Benny fosse à Igreja Universal, ela não "cairia" — foi interpretada nos corredores da Casa como uma "cutucada" direta e pública em Douglas Gomes. Contudo, para o eleitorado conservador que o elegeu, o gesto acendeu um sinal amarelo.


O que se discute nos bastidores não é a cortesia parlamentar, mas uma percepção de imparcialidade sistêmica em pautas de valores que são caras à base cristã.

  • Fidelidade ao Governo: Maurício é visto como um aliado sólido do grupo de Rodrigo Neves. A questão que surge entre seus críticos é se a lealdade ao governo tem se sobreposto à defesa intransigente dos princípios que fundamentam seu mandato como líder religioso.

  • O "Recuo" Estratégico: Tornou-se notável o hábito do parlamentar de se ausentar em dias de votações polêmicas. Para observadores políticos de direita, essa é uma forma de evitar o desgaste: evita-se confrontar o Palácio Arariboia, sem precisar registrar um voto que poderia chocar seu eleitorado mais tradicional.


A política é, por definição, a arte da composição. Entretanto, para o eleitor que busca no "voto confessional" uma garantia de representatividade, a postura "isenta" de Maurício começa a gerar questionamentos legítimos.


Até que ponto o pragmatismo político justifica o silenciamento ou a oposição a aliados naturais do campo conservador? No xadrez de Niterói, o Pastor Maurício caminha sobre uma corda bamba: de um lado, a estrutura e o apoio da máquina pública; do outro, a expectativa de uma base que espera ver a fé como bússola, e não apenas como adorno de campanha.


Resta saber se, no contato direto com as bases, essa "imparcialidade" será lida como equilíbrio ou como distanciamento das bandeiras que o levaram ao Legislativo.

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