Farra com dinheiro público e lista VIP na Arena Niterói acendem o sinal vermelho na Câmara
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Vereador Daniel Marques e oposição exigem transparência da gestão Rodrigo Neves sobre cachê milionário de Roberto Carlos e indícios de favorecimento à iniciativa privada.

A inauguração da nova Arena Niterói, celebrada com pompa pela gestão do prefeito Rodrigo Neves (PDT), transformou-se em um foco de desgaste político e questionamentos sobre o uso de recursos públicos. O pivô da controvérsia é a contratação do cantor Roberto Carlos para o evento de abertura no dia 26 de junho de 2026, uma apresentação cercada de sigilo e privilégios que atraiu forte reação da oposição na Câmara Municipal.
Liderando a cobrança por transparência, o vereador Daniel Marques (PL) protocolou um requerimento formal exigindo que a Prefeitura abra a "caixa-preta" dos contratos. De acordo com denúncias apresentadas pelo parlamentar em sessão plenária, o governo municipal empenhou cerca de R$ 4 milhões na inauguração do complexo, montante que inclui o cachê do artista e despesas estruturais , sem garantir o livre acesso da população. O evento do dia 26 foi restrito a convidados e a um grupo selecionado de programas sociais.
"Show pago pela prefeitura é porta aberta. Não pode ser para convidados", criticou Daniel Marques, questionando os critérios de distribuição da "lista VIP" governamental e repudiando o formato de "festa fechada" custeada pelos pagadores de impostos niteroienses.
A insatisfação da oposição ganha ainda mais força ao analisar o modelo de negócios adotado para os dias subsequentes. Enquanto o erário arcou com as despesas da estrutura inicial, o show do dia 27 foi aberto ao público geral, porém sob a tutela da iniciativa privada e com ingressos cobrados a preços exorbitantes, variando de R$ 692 a mais de R$ 1.074.
A oposição aponta um indício de favorecimento econômico: a estrutura de palco, som, luz e segurança totalmente montada e financiada com verba pública para o evento institucional do prefeito teria servido de "trampolim" para viabilizar o lucro da produtora privada no dia seguinte.
Na visão dos críticos, desenhou-se um cenário em que a população da cidade financia os custos operacionais para que um grupo restrito lucre com ingressos mais caros do que os de grandes festivais internacionais, como o Rock in Rio.
Até o momento, os pedidos de detalhamento dos contratos de patrocínio, notas de empenho e a listagem oficial dos agraciados com os convites institucionais seguem sob forte pressão do gabinete de Daniel Marques, que promete levar o caso aos órgãos de fiscalização financeira do Estado caso as respostas da prefeitura continuem vagas. A Arena Niterói, vendida pela gestão Rodrigo Neves como um marco de modernidade ao custo total de R$ 97,6 milhões, inicia suas atividades sob a sombra da desconfiança e do privilégio político.





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