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Com orçamento bilionário, Saúde de Maricá vira alvo de cobranças e vereador exibe mala com mais de mil denúncias

  • há 15 minutos
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Apesar de orçamento superior a R$ 1 bilhão para a Saúde, moradores relatam falta de medicamentos, demora no atendimento e dificuldades para marcar consultas e exames.


A audiência pública da Saúde realizada na última sexta-feira (29), na Câmara Municipal de Maricá, expôs um cenário que contrasta com os números apresentados pela Prefeitura. Enquanto o governo municipal comemorou investimentos recordes no setor, reclamações de pacientes, denúncias de falta de medicamentos e críticas à qualidade do atendimento dominaram o debate.


O momento mais simbólico da sessão ocorreu quando o vereador Chiquinho (PL), integrante da Comissão de Saúde, colocou sobre a mesa do plenário uma mala de viagem repleta de documentos. Segundo ele, o material reúne mais de mil denúncias encaminhadas por moradores que relatam problemas enfrentados na rede municipal de saúde.


“É a população pedindo socorro”, afirmou o parlamentar ao apresentar o conteúdo ao secretário municipal de Saúde, Marcelo Velho, e aos demais presentes.


De acordo com Chiquinho, os registros apontam falhas recorrentes no atendimento, demora para marcação de consultas e exames, além da falta de medicamentos considerados básicos. “Isso aqui tudo é denúncia, tudo com prova”, declarou.


As críticas atingiram diretamente a gestão da saúde municipal e a atuação da organização social responsável pelos serviços. O vereador questionou a permanência da empresa Cempes na administração da rede, diante das reclamações registradas pela população.


Entre os problemas apontados estão a falta de dipirona em unidade hospitalar, a ausência de aproximadamente 22 medicamentos em postos de saúde e dificuldades enfrentadas por pacientes diabéticos para obter insulina e fitas de medição de glicemia.


“Como pode a mesma empresa, aonde falta remédio no posto de saúde, continuar prestando serviço?”, questionou.


Em tom contundente, o parlamentar afirmou que a realidade enfrentada pelos moradores não corresponde ao volume de recursos destinados à área.


“A saúde de Maricá não está ruim não. A saúde de Maricá está péssima. Uma cidade que tem um orçamento milionário não pode deixar a população nesse sofrimento”, declarou.


Moradores presentes na audiência reforçaram as críticas. Relatos de falta de insulina, escassez de medicamentos e dificuldades para atendimento foram apresentados durante a sessão, ampliando os questionamentos sobre a eficiência da gestão da saúde em um dos municípios com maior arrecadação do estado do Rio de Janeiro.


Os relatos ocorreram justamente no momento em que a Prefeitura divulgava os números oficiais do setor. Segundo o relatório quadrimestral apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde, referente ao período entre janeiro e abril de 2026, o município aplicou 29,02% da receita própria na área, percentual quase duas vezes superior ao mínimo constitucional exigido. O orçamento previsto para a pasta neste ano é de R$ 1,08 bilhão.


Apesar dos números expressivos, as reclamações levantaram questionamentos sobre a efetividade dos investimentos e a capacidade da administração do prefeito Quaquá de transformar o elevado volume de recursos em melhorias perceptíveis para quem depende diariamente do Sistema Único de Saúde.


Durante a audiência, o presidente da Comissão de Saúde, vereador Felipe Auni, destacou o percentual aplicado como um recorde para o município. Já a oposição concentrou o debate na qualidade dos serviços prestados e nas reclamações encaminhadas pela população.


Ao responder às cobranças, o secretário Marcelo Velho reconheceu dificuldades pontuais, mas atribuiu parte dos problemas a questões técnicas e a responsabilidades compartilhadas com outras esferas de governo. Sobre a falta de dipirona, afirmou que houve falha de fornecedor e que medicamentos substitutos estavam disponíveis. Em relação à insulina, explicou que parte dos pacientes deveria receber o medicamento por meio de programas estaduais.


Velho solicitou que todo o material reunido pelo vereador fosse formalmente encaminhado à Secretaria para análise e eventual apuração dos casos relatados.


Ficou definido que a documentação apresentada será entregue oficialmente à pasta e que as respostas da Secretaria deverão ser apresentadas à Comissão de Saúde em agosto.


Enquanto isso, a mala exibida no plenário acabou se tornando o principal símbolo de uma audiência que evidenciou a distância entre os indicadores celebrados pela administração municipal e as dificuldades relatadas por moradores que dependem da rede pública de saúde.


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