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Quaquá quer aumentar repasse da prefeitura à União de Maricá para R$ 20 milhões; Câmara foi favorável em primeira discussão

  • há 58 minutos
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O texto também propõe novas medidas para a prestação de contas da agremiação. A Câmara de Maricá marcou o segundo turno e votação do projeto para a próxima quinta-feira (28).



Mesmo com carências históricas em áreas essenciais como saneamento básico e saúde pública, a Prefeitura de Maricá caminha para ampliar drasticamente os repasses destinados ao carnaval. A Câmara Municipal aprovou, em primeira discussão nesta quinta-feira (21), o projeto do prefeito Washington Quaquá que eleva de R$ 8 milhões para até R$ 20 milhões o teto anual de subvenção para escolas de samba da cidade que desfilarem no Grupo Especial.



Na prática, a medida beneficia diretamente a União de Maricá, que fará sua estreia na elite do carnaval carioca em 2027 após conquistar o título da Série Ouro. O texto recebeu 13 votos favoráveis na Câmara, enquanto os vereadores Chiquinho (PL) e Netuno (PL) votaram contra.


O aumento milionário do repasse, porém, reacende questionamentos sobre as prioridades da administração municipal. Apesar da arrecadação bilionária oriunda dos royalties do petróleo, Maricá ainda enfrenta graves problemas de infraestrutura básica, especialmente nas regiões mais afastadas e carentes.


Dados do Instituto Água e Saneamento apontam que apenas 12,5% da população de Maricá possui acesso aos serviços públicos de esgotamento sanitário — índice muito inferior à média do estado do Rio de Janeiro, que supera 61%. Além disso, mais de 113 mil moradores ainda dependem de fossas sépticas ou soluções precárias para descarte de esgoto.


Estudos acadêmicos sobre o sistema lagunar de Maricá também alertam para a relação direta entre a baixa cobertura de saneamento e a degradação ambiental das lagoas da cidade, afetando inclusive a saúde pública da população. Pesquisadores destacam que a precariedade do tratamento de esgoto continua sendo um dos principais obstáculos para a recuperação ambiental do município.


Embora a prefeitura tenha anunciado recentemente grandes investimentos em obras de saneamento, reportagens e diagnósticos técnicos reconhecem que os problemas persistem e ainda demandam soluções estruturais de longo prazo.


Na saúde, moradores frequentemente relatam dificuldades no acesso a atendimentos especializados, exames e abastecimento regular em algumas localidades. Ao mesmo tempo, a gestão municipal continua apostando em projetos de grande visibilidade política e cultural financiados pelos royalties do petróleo.


Para críticos da medida, o debate não é sobre a importância cultural do carnaval, mas sobre proporcionalidade e prioridade. Em uma cidade onde milhares de famílias ainda convivem com esgoto precário, problemas de abastecimento e carências nos serviços públicos essenciais, o aumento de um subsídio carnavalesco para até R$ 20 milhões inevitavelmente levanta cobranças sobre onde o dinheiro público deveria ser investido primeiro.

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