Niterói confirma caso de raiva em morcego
- Redação

- há 3 horas
- 3 min de leitura
Caso confirmado em morcego reacende alerta sanitário e leva CRMV-RJ a cobrar da Prefeitura menos burocracia no acesso à vacina

A Fundação Municipal de Saúde de Niterói confirmou a circulação do vírus da raiva no município após exames laboratoriais indicarem que um morcego encontrado morto em Vale Feliz, no bairro Engenho do Mato, estava infectado pelo vírus antirrábico, conforme laudo divulgado em 29 de janeiro. Embora não sejam comuns casos em cães e gatos há mais de duas décadas, a detecção em morcegos evidencia a permanência do vírus na região.
O animal, da família Vespertilionidae, grupo de morcegos insetívoros, foi submetido a testes que confirmaram a presença da raiva. Desde 2020, Niterói registrou oito ocorrências da doença em morcegos, e casos em municípios vizinhos — como Duque de Caxias em 2021 e Maricá no final de 2022 — mostram a necessidade de vigilância contínua.
Especialistas destacam a importância ecológica dos morcegos, que ajudam no controle de pragas, polinização e dispersão de sementes, e alertam que a presença do vírus não deve resultar em perseguição aos animais, mas sim reforçar práticas de biossegurança e comunicação apenas com profissionais treinados.
De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a raiva é uma doença viral extremamente grave, que causa inflamação aguda no cérebro e tem praticamente 100% de letalidade. Tradicionalmente, a transmissão urbana ocorria via cães e gatos, mas há uma mudança no perfil epidemiológico, com os morcegos ganhando maior protagonismo como fonte de infecção. A transmissão ocorre principalmente pela mordida de animal infectado, mas arranhaduras e lambeduras também podem transmitir o vírus.
O CCZ orienta que a população não toque em morcegos ou outros animais silvestres e acione imediatamente o órgão ao encontrar um animal doente ou morto. Para emergências fora do horário comercial, o contato deve ser feito com a Guarda Ambiental. Além disso, é fundamental manter cães e gatos vacinados a partir dos três meses de idade, e Niterói oferece postos permanentes de imunização em locais como o Horto do Fonseca e a Administração Regional de Maravista/Serra Grande/Engenho do Mato.
Caso um pet tenha contato com um morcego, os responsáveis devem informar o CCZ, podendo ser adotadas medidas como observação em isolamento ou, em casos específicos, eutanásia, com protocolos estabelecidos de vacinação e acompanhamento.
A vacinação pré-exposição contra a raiva é recomendada para profissionais e estudantes que lidam frequentemente com animais, como médicos-veterinários e zootecnistas. O Ministério da Saúde estabelece um esquema de duas doses da vacina antirrábica (dias 0 e 7), que não só protege contra a doença quanto facilita o tratamento em casos de exposição.
Diante de relatos de dificuldades burocráticas no acesso à vacinação pré-exposição nas unidades de saúde, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) encaminhou um ofício à Prefeitura de Niterói solicitando a simplificação do processo de imunização. Para o presidente do conselho, Diogo Alves, é inaceitável que profissionais em risco enfrentem barreiras para se vacinar: “A burocracia não pode se sobrepor à proteção da vida”.
O CRMV-RJ também se colocou à disposição para colaborar na definição de fluxos e documentação e defende a ampliação da disponibilidade da vacina como uma medida eficaz de saúde pública.
Especialistas reforçam que casos como o registrado em Engenho do Mato exigem uma abordagem integrada de saúde humana, animal e ambiental, respeitando o conceito de “Uma Só Saúde”, que reconhece a interdependência entre a saúde das pessoas, dos animais e do meio ambiente.





Comentários