Rio tenta recuperar R$ 616 milhões do Rioprevidência após aplicações no Grupo Master
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Procuradoria-Geral do Estado aciona a Justiça, pede bloqueio de bens de gestoras e diretores e busca ressarcimento de recursos destinados à previdência dos servidores públicos.
Os recursos destinados a garantir aposentadorias e pensões de milhares de servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro voltaram ao centro de uma das maiores controvérsias financeiras da administração estadual. A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) ingressou na Justiça com três ações para tentar recuperar R$ 616,6 milhões investidos pelo Rioprevidência em fundos administrados por empresas ligadas ao Grupo Master. Além do ressarcimento dos valores, o Estado solicita o bloqueio de bens de gestoras, administradores e diretores envolvidos, incluindo imóveis, veículos, ações, marcas, embarcações, aeronaves e criptomoedas, como forma de assegurar eventual indenização aos cofres públicos.
Segundo a PGE, parte significativa dos recursos foi aplicada no fundo Revolution, que recebeu aproximadamente R$ 481,4 milhões, enquanto outro aporte de R$ 150 milhões foi destinado ao fundo Texas I FIA. De acordo com a Procuradoria, este último teve uma expressiva redução patrimonial em menos de um ano. Uma terceira ação tramita sob segredo de Justiça.

Dinheiro da previdência sob pressão
O caso desperta preocupação porque os recursos administrados pelo Rioprevidência são destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. A PGE sustenta que existem indícios de irregularidades nas aplicações financeiras e afirma que busca evitar prejuízos ainda maiores ao patrimônio público. As ações judiciais também utilizam o SisbaJud para tentar localizar e bloquear ativos dos investigados.
Caso amplia pressão sobre a gestão dos investimentos públicos
O episódio reacende o debate sobre os critérios utilizados na gestão dos recursos previdenciários do Estado. Nos últimos meses, órgãos de controle e investigação também passaram a analisar investimentos relacionados ao Grupo Master, especialmente após a liquidação extrajudicial da instituição financeira. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro já havia ajuizado ação para buscar a recuperação de valores superiores a R$ 1 bilhão relacionados a outros investimentos do Rioprevidência. Embora a responsabilização dos envolvidos ainda dependa da tramitação dos processos judiciais, o caso levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle interno, análise de risco e governança na administração de recursos públicos de alta relevância social.
Quem responde pelo prejuízo?
A abertura das ações pela Procuradoria representa uma tentativa de minimizar possíveis perdas ao erário. Entretanto, o episódio reforça uma discussão recorrente no setor público: como investimentos dessa magnitude foram autorizados e quais mecanismos de fiscalização falharam para que recursos da previdência estadual fossem expostos a tamanho risco. Enquanto a Justiça analisa os pedidos de bloqueio de bens e de recuperação dos valores, milhares de servidores acompanham o desdobramento do caso com preocupação, já que o patrimônio do Rioprevidência é essencial para garantir o pagamento de benefícios previdenciários.





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