Reviravolta no RJ: Cláudio Castro desiste de disputar o Senado
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Decisão ocorre após operação da Polícia Federal e novas denúncias envolvendo conversas do ex-governador do Rio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master

Alvo recente da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) desistiu de concorrer ao Senado pelo Rio de Janeiro.
Assim que tomada a decisão, que vem na sequência de novas denúncias sobre conversas de Castro com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a operação da PF, o ex-governador avisou o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto. A informação é da comentarista Ana Flor, da GloboNews.
O nome de Cláudio Castro estava na chapa anunciada pelo PL em fevereiro deste ano, que também tinha o senador Flávio Bolsonaro (PL) como aposta principal do partido, que tenta agora a cadeira da Presidência da República.
Ele respondeu a um processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder nas eleições de 2022, ao qual foi condenado e se tornou inelegível. Apesar disso, ele manteve a pré-candidatura, mas passou a sofrer pressão de colegas de partido para que ele desistisse.
Nos bastidores, integrantes da cúpula do PL avaliavam que as investigações e ações da Polícia Federal haviam tornado politicamente inviável a permanência dele na disputa eleitoral.
Ligação com Vorcaro
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam uma relação próxima entre o ex-governador do Rio e o banqueiro Daniel Vorcaro, que é investigado por suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master.
As conversas foram encontradas no celular do empresário e fazem parte de uma investigação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nos diálogos, os dois combinam encontros frequentes no Brasil e no exterior.
Em uma troca de mensagens de 2025 analisada pela PF, Vorcaro elogia a participação de Castro em uma missa de ação de graças. “Canta demais!”, escreveu o banqueiro. O ex-governador respondeu: “Você é meu amigo, não conta”. Para os investigadores, o conteúdo reforça a proximidade entre os dois.
Alvo da PF
Na última terça-feira (26/5), a casa do ex-governador foi cenário do cumprimento de um mandado de busca e apreensão na oitava fase da Compliance Zero, que investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos públicos do estado em fundos de investimento ligados ao Master. Outros nove endereços, localizados nas cidades do Rio de Janeiro e Brasília, também foram alvo.
Segundo a Polícia Federal, esta nova etapa da apuração é um desdobramento da Operação Barco de Papel, que já havia detectado investimentos considerados suspeitos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) em letras financeiras de um banco privado. Os aportes somaram cerca de R$ 970 milhões entre outubro de 2023 e julho de 2024.
Agora, a investigação mira novas aplicações, estimadas em R$ 2,01 bilhões, feitas a partir de julho de 2024 em fundos administrados pela mesma instituição financeira. Com a inclusão desses valores, o total de recursos analisados chega a aproximadamente R$ 3 bilhões.
Dados apresentados na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) apontam que o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão diretamente no banco e outros R$ 1,6 bilhão em fundos sob gestão da instituição. Já a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) teria realizado aportes de R$ 200 milhões.





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