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“Prêmio da ONU”? Polícia Civil desmonta versão de vereador sobre R$ 100 mil e suspeita de ligação com o Comando Vermelho

  • há 7 minutos
  • 2 min de leitura

Aliado de Eduardo Paes, Salvino Oliveira é alvo de investigação por depósitos suspeitos; prefeito fala em perseguição política e acusa uso da Polícia Civil pelo governo Cláudio Castro


A tentativa de justificar movimentações financeiras suspeitas com um suposto “prêmio internacional” acabou desmentida pelas autoridades e ampliou a crise política envolvendo o vereador Salvino Oliveira, no Rio de Janeiro. A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro foi categórica ao afirmar que os valores investigados não possuem qualquer relação com a Organização das Nações Unidas, contrariando diretamente a versão apresentada pelo parlamentar.



Segundo as investigações, com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras, foram identificadas movimentações superiores a R$ 100 mil consideradas atípicas, incluindo depósitos em dinheiro vivo e transferências com origem em uma empresa de informática localizada em área dominada pelo Comando Vermelho, no Complexo da Maré.


O caso se torna ainda mais grave pelo contexto em que se insere. Salvino Oliveira chegou a ser preso em uma operação que investiga a estrutura nacional da facção criminosa, apontada pelas autoridades como altamente organizada e com atuação interestadual, além de conexões com outros grupos como o PCC. A apuração busca identificar possíveis vínculos entre agentes públicos e estruturas utilizadas pelo crime organizado para movimentação financeira.


A versão apresentada pelo vereador, de que os valores teriam origem em um prêmio concedido pela ONU, foi rapidamente descartada pela Polícia Civil, que classificou a justificativa como inconsistente diante das evidências reunidas. Para os investigadores, os dados apontam para um padrão típico de movimentação suspeita, incompatível com a explicação fornecida.


A repercussão política do caso ganhou força após a manifestação do prefeito Eduardo Paes, que saiu em defesa do vereador, considerado aliado próximo de sua base. Paes afirmou que Salvino estaria sendo alvo de perseguição política e acusou o governo estadual de utilizar a Polícia Civil para atingir adversários.


Em suas declarações, o prefeito direcionou críticas ao governador Cláudio Castro e ao secretário de segurança Felipe Curi, alegando que a corporação estaria sendo instrumentalizada politicamente. A fala elevou o tom do embate entre Prefeitura e Governo do Estado, trazendo o caso para o centro de uma disputa institucional.


Apesar das acusações, a Polícia Civil reafirmou que a investigação segue critérios técnicos e se baseia exclusivamente em dados concretos, como os relatórios financeiros e as conexões identificadas durante a apuração. A corporação também destacou que não há qualquer elemento que sustente a tese de premiação internacional apresentada pelo parlamentar.


O vereador Salvino Oliveira (PSD) foi um dos sete presos na Operação Contenção Red Legacy, deflagrada na quarta-feira (11), que mira a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). Após dois dias detido, ele deixou a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, na tarde da última sexta-feira (13).

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