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Paes irá dividir palanque com Lula durante campanha em 2026

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Apesar da opção de seguir com o Centrão que terá candidatura própria para presidente, Eduardo Paes dá uma guinada definitiva para a esquerda e polariza as eleições para o governo do Rio


A decisão de Eduardo Paes de subir no palanque do presidente Lula não causa espanto nos bastidores da política fluminense. Ela confirma um movimento que vinha sendo amadurecido internamente e que agora se torna público. Apesar do discurso de moderação e do flerte calculado com a direita, o centrão e setores evangélicos, o prefeito do Rio opta por um alinhamento claro com o campo petista. Com isso, o atual presidente consegue o espaço eleitoral no estado que tanto necessitava.


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No caso específico de Paes, a escolha é facilitada pela postura adotada por Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Mesmo à frente de um partido que abriga três nomes com pretensões presidenciáveis, Kassab deixou livre a decisão do prefeito do Rio quanto ao apoio nacional. Com essa autonomia, Paes tende a optar pelo candidato do PT, reforçando sua ligação política com Lula.


Ao assumir publicamente esse palanque, Paes abandona de vez a ambiguidade política que tentou sustentar nos últimos anos. A imagem de gestor “desideologizado” perde força, e a eleição no Estado passa a ganhar um tom claramente polarizado. O prefeito deixa para trás o discurso de diálogo amplo e se posiciona como parte de um projeto nacional identificado com a esquerda.


Esse movimento cobra seu preço. Paes joga fora o capital político que vinha acumulando junto a eleitores conservadores, ao centrão e a segmentos evangélicos que, mesmo com desconfiança, ainda viam nele uma alternativa pragmática. Com a decisão tomada, esse eleitorado fica sem referência dentro do projeto político do atual prefeito.


É nesse espaço que uma candidatura de direita pode surgir com força. Ainda não há um nome com o martelo batido, mas o secretário Douglas Ruas tem sido cada vez mais citado nos bastidores como possível contraponto ao projeto encampado por Lula e Paes no Rio.


A campanha tende a girar em torno de um tema central: segurança pública. E, nesse ponto, a esquerda enfrenta dificuldades históricas. O discurso e os resultados acumulados ao longo dos anos retiram do PT e de seus aliados autoridade moral para liderar esse debate. Lula, em especial, encontra forte resistência quando o assunto é combate à criminalidade e ordem pública.


Ao optar por Lula, Paes contribui para nacionalizar a eleição fluminense e reforça a polarização. Se fortalece seu campo ideológico, também estimula a organização do outro lado, que passa a enxergar com mais clareza o adversário a ser enfrentado.


No fim das contas, a decisão de Paes não amplia pontes. Ela as rompe. E, ao fazer isso, cria as condições para que a direita se reorganize, apresente uma alternativa competitiva e dialogue com um eleitorado que não se sente representado pelo projeto político hoje no poder.

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