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Niterói nas mãos dos traficantes: Moradores ficam reféns sem internet.

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

No Maravista e na Zona Norte, crime organizado corta cabos e transforma a falta de internet em rotina em Niterói




Moradores do Maravista, localidade de Itaipu, em Niterói, viveram quatro dias seguidos sem acesso à internet após ataques criminosos à infraestrutura de telecomunicações. Cabos de operadoras regulares foram arrebentados de forma deliberada, em uma ação atribuída à atuação de milícia e do crime organizado, que passou a impor o uso de um único serviço clandestino de internet na região.



O caso expõe o avanço da milícia sobre serviços essenciais, transformando a internet, hoje indispensável para trabalho, estudo e comunicação, em instrumento de dominação territorial e exploração econômica. Segundo moradores, a sabotagem não foi um episódio isolado, mas parte de uma estratégia recorrente para inviabilizar empresas legalizadas. Técnicos são ameaçados e impedidos de atuar, e as próprias operadoras evitam enviar equipes por falta de segurança, prolongando a interrupção do serviço.


Uma moradora do Maravista, que pediu anonimato por medo de represálias, resume a indignação:

“A gente paga impostos altíssimos, paga um IPTU caríssimo para morar em Itaipu e, na prática, não tem direito nem ao básico. Fiquei dias sem internet, tive prejuízo direto no meu trabalho e ninguém aparece para resolver. Parece que quem manda aqui não é o Estado.”

A situação não se restringe à Região Oceânica. Na Zona Norte de Niterói, especialmente em bairros e comunidades do Fonseca e entorno, moradores relatam cortes frequentes de cabos, quedas prolongadas de sinal e ameaças diretas a técnicos e empresas regulares de comunicação.


Em algumas áreas, operadoras deixaram de atender chamados por não conseguirem garantir a segurança de seus funcionários, deixando a população refém de um monopólio ilegal.


A escalada da violência associada a esse controle ficou ainda mais evidente no último dia 2, quando um homem foi assassinado a tiros, em plena luz do dia, na Rua São Januário, em frente a uma igreja. Informações preliminares indicam que a vítima teria ligação com o serviço clandestino conhecido como “GatoNet”. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo.


Apesar desse cenário, o prefeito Rodrigo Neves, então secretário executivo no início de 2024, afirmou que “Niterói é a única cidade da Região Metropolitana em que estamos resistindo e não permitimos a entrada dessas milícias”. A declaração, no entanto, contrasta com a realidade vivida por moradores do Maravista e da Zona Norte e de outras regiões da cidade, onde serviços são sabotados, técnicos são ameaçados e o crime organizado avança sobre direitos básicos.


Para quem vive nessas regiões, o problema já ultrapassou a falta de internet. Trata-se de um cotidiano marcado pelo medo, por prejuízos financeiros e pela sensação de abandono, em territórios onde o crime impõe regras e o Estado ainda não conseguiu reassumir o controle.

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