Mães Atípicas Denunciam Falta de Medicamentos nas Unidades de Saúde em Niterói
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A falta de fármacos essenciais há meses ameaça interromper tratamentos e causar retrocessos graves em crianças e adolescentes.

A saúde pública de Niterói atravessa um dos seus capítulos mais dramáticos. Enquanto a Prefeitura mantém um discurso de eficiência, a realidade nas portas das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) é de desolação. Famílias inteiras estão sendo empurradas para o abismo da interrupção de tratamentos devido a um desabastecimento crônico que não escolhe alvo, mas atinge com crueldade os mais vulneráveis.
A falta de medicação em Niterói deixou de ser um problema pontual para se tornar uma crise constante local. O foco mais crítico reside na Rede de Saúde Mental. Mães relatam que remédios essenciais — muitos de uso contínuo e que não podem ser interrompidos sob risco de retrocessos graves no quadro clínico de crianças e adolescentes — sumiram das prateleiras municipais há meses.
Sem o fornecimento regular pelo SUS, o cenário é de "escolha de Sofia": ou a família retira o dinheiro do alimento para comprar o remédio na rede privada, ou assiste à piora progressiva de seus filhos. A ausência de itens básicos no estoque é o sintoma mais claro de uma falha logística e financeira que a Secretaria de Saúde tenta, a todo custo, manter longe dos olhos do público.
Nesta terça-feira, o vereador Michael Saad trouxe a público um episódio que revela o nível de blindagem da gestão municipal: ao tentar exercer seu papel constitucional de fiscalizar o almoxerifado da UBS de Piratininga, foi barrado por um servidor.
A justificativa apresentada — de que o parlamentar "não teria autorização" para ver quais remédios faltavam — soa como um confissão de culpa. O impedimento levanta uma questão óbvia: o que a Prefeitura de Niterói teme que os vereadores encontrem dentro de seus depósitos?
A sessão na Câmara Municipal nesta terça-feira foi marcada por um tom de revolta e enfrentamento. O impedimento de Michael Saad serviu como estopim para que outros parlamentares denunciassem um sistema de perseguição orquestrado pela prefeitura.
O vereador Douglas Gomes subiu à tribuna com um discurso contundente, afirmando que o Executivo tenta transformar o Legislativo em um órgão meramente decorativo. Segundo Gomes, os servidores públicos nas unidades de saúde estão sendo coagidos e orientados pela prefeitura a obstruir o trabalho dos parlamentares.
"A principal prerrogativa do vereador é fiscalizar. Se for preciso, daremos voz de prisão para aqueles que tentarem impedir o cumprimento da lei", disparou Gomes.
A bancada de oposição destacou que o uso da Justiça como ferramenta de intimidação virou regra na cidade. Foram lembrados os casos dos vereadores Douglas Gomes e Daniel Marques, que respondem judicialmente por terem descoberto mais de 5.000 tablets abandonados em 2023, e da vereadora Fernanda Louback, processada após denunciar irregularidades em escolas.





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