Executiva do PT Niterói rejeita filiação de Benny Briolly e futuro político é incerto
- 26 de fev.
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Sem espaço no PSOL e com saída eminente , projeto político da parlamentar enfrenta resistência no PT municipal que em nota, rejeitou sua filiação.

Nos bastidores da política de Niterói, o episódio envolvendo a possível filiação de Benny Briolly ao PT escancarou algo que vai muito além de uma simples mudança de partido. O que está em jogo é poder, estratégia eleitoral e, sobretudo, autoridade dentro da própria estrutura partidária.
A nota divulgada pela Direção Municipal do Partido dos Trabalhadores foi clara, embora diplomática na forma. Ao afirmar que não foi consultada e classificar como “inaceitável” a condução do processo sem diálogo com a instância local, o recado político foi direto: Benny não é bem-vinda no PT de Niterói.

E não se trata apenas de formalidade burocrática.
Atualmente filiada ao PSOL, Benny enfrenta um cenário desconfortável. A bancada do partido na Câmara Municipal se posiciona como oposição ao prefeito Rodrigo Neves (PDT) na maioria da vezes e, ainda assim, seus sucessivos acenos à gestão municipal geraram desgastes internos e, podemos até dizer, isolamento da parlamentar dentro do próprio partido.
Dentro do PSOL, o caminho para voos mais altos também é estreito. A deputada Talíria Petrone é o nome natural da legenda em Niterói para a Câmara Federal e deve disputar a reeleição. Em uma nominata já estruturada, a ambição de disputar uma vaga em Brasília se tornaria, no mínimo, improvável.
Diante disso, Benny buscou alternativa. A movimentação em Maricá, com o presidente estadual do PT, Diego Zeidan, e com o prefeito, Washington Quaquá, uma das figuras mais influentes do partido no estado, mostra que a estratégia não é improvisada. Trata-se de uma construção estadual para viabilizar um projeto maior: uma candidatura a deputada federal pelo Rio.
Mas política também é território. E o território de Niterói logo reagiu.

O diretório municipal petista deixou evidente que não aceita imposições. A resistência não é apenas pessoal; é estratégica. O PT local tem sua própria leitura de cenário, seus próprios quadros e sua própria dinâmica interna. Ignorar isso é flertar com um racha.
A pergunta que fica é simples e incômoda: quem manda no PT quando o assunto é Niterói?
Se prevalecer o flerte estadual, o diretório municipal pode sair enfraquecido. Se a posição local for mantida, o projeto político de Benny pode naufragar antes mesmo de se concretizar.
No meio dessa disputa, há também uma constatação: a permanência no PSOL tornou-se politicamente insustentável e a tentativa de atravessar a fronteira partidária parece que não deu certo
A rejeição pública da Executiva municipal altera o tabuleiro. Sem clima no PSOL e enfrentando resistência formal no PT local, Benny passa a depender exclusivamente da força e da boa vontade do diretório estadual para viabilizar seu próximo passo. O risco é transformar uma eleição em um processo de isolamento político e que pode ser duradouro.





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