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Comerciantes de Niterói: empreender virou um pesadelo

  • 14 de jan.
  • 3 min de leitura

Sob a gestão Rodrigo Neves, desordem urbana avança, comércio fecha as portas e a insegurança toma conta da cidade


Niterói — Empreender na cidade tem se tornado uma atividade cada vez mais arriscada. Comerciantes relatam prejuízos constantes, medo diário e a sensação de completo abandono por parte do poder público municipal. Apesar do discurso oficial e dos sucessivos anúncios de investimentos milionários, a gestão do prefeito Rodrigo Neves não conseguiu conter a escalada da insegurança nem preservar a ordem urbana, fatores essenciais para a sobrevivência do comércio local.



Há anos, moradores e empresários criticam a política social adotada pela Prefeitura, considerada permissiva e ineficaz. O crescimento descontrolado de pessoas em situação de rua e usuários de drogas deixou de ser apenas um problema social e passou a impactar diretamente a economia, a segurança pública e o direito de ir e vir. Em vez de resultados concretos, o que se vê é a ampliação da desordem, especialmente em regiões comerciais estratégicas.


Furtos de cabos elétricos, fios de cobre, hidrômetros e equipamentos essenciais tornaram-se rotina. Em muitos casos, os danos impedem a abertura das lojas por dias, gerando prejuízos acumulados e afastando clientes. A criminalidade já não se restringe ao período noturno. Comerciantes relatam ocorrências em plena luz do dia, inclusive em bairros que historicamente figuravam entre os mais seguros da cidade.


O cenário mais simbólico desse colapso é a situação da Rua Amaral Peixoto, tradicional eixo comercial do Centro. Nos últimos anos, dezenas de lojas fecharam as portas, pressionadas pela presença constante de usuários de crack, furtos recorrentes, episódios de violência e pela degradação visível do espaço urbano. Comerciantes que ainda resistem relatam abordagens agressivas, consumo de drogas a céu aberto e queda drástica no fluxo de clientes. O que antes era sinônimo de vitalidade econômica tornou-se um retrato do fracasso das políticas públicas municipais.


Nesse contexto, uma alternativa mais firme chegou a ser apresentada no Legislativo municipal, mas acabou descartada pela própria base do governo. Em 2024, o vereador Douglas Gomes (PL) protocolou o Projeto de Lei nº 13/2024, que previa a internação compulsória em casos extremos de dependência química, com critérios objetivos, aplicação mais prática e resposta imediata ao colapso social vivido pela cidade. A proposta foi rapidamente taxada como “radical” e enfrentou forte resistência política, sendo engavetada sem um debate aprofundado. Em seu lugar, a Prefeitura optou por encaminhar um projeto classificado como “humanizado”, amplamente promovido no discurso oficial, mas que, na prática, não apresentou eficácia. A realidade das ruas evidencia o contraste: enquanto uma medida mais enérgica foi rejeitada por viés ideológico, o modelo adotado falhou em conter o avanço da desordem e da criminalidade.


A violência deixou de atingir apenas o comércio e passou a alcançar espaços religiosos e comunitários. Nesta semana, um furto chocou fiéis e moradores: um crucifixo foi levado do interior de uma igreja em Niterói. O crime foi cometido por uma mulher em situação de rua, usuária de drogas, evidenciando a completa perda de controle do espaço público. Quando até templos religiosos, historicamente respeitados, se tornam alvos, o que se revela é uma administração incapaz de impor limites e garantir a preservação do patrimônio coletivo.



Casos de violência envolvendo usuários de drogas também se acumulam em bairros de classe média, como Icaraí. Moradores relatam agressões a pedestres, ameaças constantes, tentativas de furto e depredações em praças e calçadas. O medo passou a fazer parte da rotina de quem circula pela cidade, ampliando a sensação de abandono e insegurança.


Para quem vive do comércio, o discurso oficial não resiste à realidade. Uma comerciante da Rua Gavião Peixoto, há 12 anos no mesmo ponto, relata que precisou fechar a loja após sucessivos furtos e danos à estrutura. Sem se identificar, ela resume o sentimento compartilhado por muitos empresários:

“Não é falta de empatia com quem precisa de ajuda. O problema é que quem trabalha está completamente desprotegido. A gente investe, paga impostos altíssimos e fica à mercê do prejuízo. Trabalhar em Niterói virou um risco.”

Guardas municipais e policiais militares realizam abordagens, mas comerciantes apontam um entrave recorrente. Mesmo quando os autores dos crimes são detidos, acabam liberados rapidamente e retornam às ruas, repetindo os mesmos delitos. A sensação de impunidade se espalha e mina a confiança da população no poder público.


Ao insistir em um modelo ideológico permissivo, a gestão Rodrigo Neves contribuiu diretamente para o cenário atual. A desordem não é fruto do acaso, mas consequência de escolhas políticas. A ausência de decisões firmes, a relativização da aplicação da lei e a falta de ações concretas transformaram Niterói em uma cidade onde o trabalhador se sente abandonado e o crime encontra espaço para agir.


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