Reforma de Castro provoca efeito dominó e redesenha forças na Alerj
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Saída de secretários para disputa eleitoral abre espaço no governo e leva deputados de volta ao plenário, alterando a composição da Casa

A movimentação nos bastidores do poder estadual ganhou novos contornos — e não por acaso. A edição extra do Diário Oficial da última sexta-feira (20) confirmou o retorno de deputados à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), mas o pano de fundo da operação é ainda mais amplo: uma reforma no primeiro escalão promovida pelo governador Cláudio Castro.
Na prática, o que se viu foi uma engrenagem girando em duas direções ao mesmo tempo.
De um lado, quatro deputados — Gustavo Tutuca (PP), Bruno Dauaire (União), Douglas Ruas (PL) e Anderson Moraes (PL) — deixaram secretarias e voltaram à Alerj. Do outro, o governo abriu espaço para uma série de novos nomes no Executivo, numa dança de cadeiras que atingiu pelo menos 11 pastas estratégicas.
Nos bastidores, a justificativa oficial é eleitoral: secretários deixam os cargos para disputar as eleições deste ano. Mas, na política, raramente há apenas uma leitura.
Troca geral no primeiro escalão
As mudanças foram amplas e atingiram áreas sensíveis. Na Secretaria de Turismo, por exemplo, Tutuca deu lugar a Lucas Alves. Em Cidades, Douglas Ruas abriu espaço para Maria Gabriela Bessa. Já Anderson Moraes deixou Ciência e Tecnologia, assumida por Renata Sphaier, enquanto Bruno Dauaire saiu da Habitação, substituído por Fábio Paravidino.
Outras trocas reforçam o redesenho da máquina estadual: Delmir Gouveia assumiu a Polícia Civil; Raul Fanzeres foi para Infraestrutura; Diego Faro ficou com o Meio Ambiente; e Anderson Coelho passou a comandar o Desenvolvimento Social.
Ou seja, não foi apenas ajuste — foi rearranjo de força.
Com a saída dos deputados do Executivo, o reflexo foi imediato no Parlamento. Os titulares reassumiram seus mandatos e desalojaram suplentes, reconfigurando o tabuleiro interno da Alerj.
Gustavo Tutuca retomou a vaga ocupada por Bruno Boaretto. Douglas Ruas substituiu Elton Cristo.
Bruno Dauaire encerrou o período de Daniel Martins. E Anderson Moraes voltou à cadeira que estava com Renan Jordy.
Mas, como toda boa articulação política, há sempre um efeito colateral calculado.
Renan Jordy segue na Casa, agora ocupando a vaga aberta com a ida de Jair Bittencourt para a Secretaria de Governo — movimento publicado nesta segunda-feira (23) e que também tem peso político relevante.
A leitura nos corredores é direta: o governo promoveu uma recomposição dupla — administrativa e legislativa — mirando 2026.
Ao mesmo tempo em que abre espaço para aliados no Executivo, reforça sua base na Alerj com nomes já testados politicamente. E mais: a entrada de Jair Bittencourt na Secretaria de Governo indica um movimento claro de fortalecimento do PL dentro da estrutura estadual.
Em resumo, não se trata apenas de uma troca de nomes.
É reposicionamento de poder.





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