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Prioridades: Paes diz a Lula que população quer Ozempic no SUS

  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Prefeito do Rio afirmou que moradores cobram o medicamento e pediu incentivo para ampliar o acesso na rede pública.




Durante agenda no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (13), o prefeito do Rio, Eduardo Paes, aproveitou a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para defender a ampliação da distribuição do medicamento Ozempic no Sistema Único de Saúde (SUS). O apelo foi feito em tom informal e acompanhado de uma fala que rapidamente chamou atenção pelo teor político.

Dirigindo-se diretamente ao presidente, Paes afirmou:

“Presidente, esquece transporte, educação, pavimentação, urbanização. Eu só ando na rua e é só: ‘Dudu, cadê meu Ozempic que você prometeu?’”.

A frase, dita em tom de brincadeira, acabou revelando uma visão no mínimo controversa sobre as prioridades da gestão pública. Em um município e em um país ainda marcados por problemas estruturais — como filas na saúde básica, deficiência no atendimento hospitalar, precariedade no transporte e gargalos na educação — a aposta política em ampliar a oferta de um medicamento caro levanta questionamentos sobre prioridades administrativas.


O Ozempic, originalmente indicado para tratamento de diabetes tipo 2, ganhou grande popularidade por seu efeito associado à perda de peso. O medicamento se tornou um fenômeno global, mas também alvo de debates sobre uso indiscriminado, custos elevados e impactos nos sistemas públicos de saúde.


Ainda assim, Paes sugeriu que a pressão popular pela substância seria intensa nas ruas. O prefeito relatou que perdeu cerca de 33 kg utilizando o medicamento e afirmou que sua própria experiência teria ajudado a popularizar o tema entre moradores da cidade.


A declaração foi feita ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também participou do evento. Segundo Paes, o governo federal poderá anunciar novas medidas relacionadas ao medicamento nos próximos dias.


A proposta, no entanto, surge em um contexto político sensível. 2026 é ano eleitoral e tanto Paes quanto Lula têm projetos políticos relevantes no horizonte. O prefeito é apontado como possível candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, enquanto Lula mira a reeleição à Presidência.


Nesse cenário, críticos veem na proposta mais um gesto de forte apelo popular do que uma política pública baseada em prioridades estruturais. Afinal, enquanto hospitais enfrentam carência de profissionais, equipamentos e exames básicos, a discussão sobre ampliar o acesso a um medicamento de alto custo para emagrecimento pode soar, para muitos, como uma medida populista em pleno calendário eleitoral.


A eventual inclusão do Ozempic no SUS dependeria de análises técnicas sobre custo-efetividade e impacto orçamentário — etapas que costumam levar tempo. Ainda assim, o discurso político já ganhou destaque, alimentando o debate sobre prioridades na saúde pública e sobre até que ponto decisões dessa natureza podem ser influenciadas pelo clima eleitoral.

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