PF acha mensagens de Sérgio Cabral e Rodrigo Bacellar sobre favores no Judiciário
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Mesmo condenado a mais de 420 anos de prisão, ex-governador segue em liberdade enquanto mensagens descobertas pela PF revelam parceria com Bacellar para influenciar o Judiciário do Rio.

Relatório da Polícia Federal revelou mensagens trocadas entre o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, Rodrigo Bacellar, indicando pedidos de interlocução junto ao Judiciário em um processo que atingia o ex-chefe do Executivo estadual.
Cabral, que soma mais de 420 anos de condenações na Justiça em diferentes processos ligados a corrupção e organização criminosa, encontra-se em liberdade porque as 23 ações penais que resultaram em suas condenações ainda não transitaram em julgado. Ou seja, apesar do volume expressivo de penas impostas, os recursos pendentes impedem o cumprimento definitivo das sentenças.
As mensagens analisadas pela PF mostram Cabral solicitando a Bacellar apoio em um processo por improbidade administrativa que tramitava no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em um dos trechos, o ex-governador classifica o pedido como “muito importante”. Posteriormente, ao saber que o julgamento havia sido retirado de pauta, envia mensagem comemorando o resultado.
Para a Polícia Federal, os diálogos indicam mais do que uma simples conversa entre conhecidos.
Os investigadores apontam possível uso de influência política para obtenção de vantagens judiciais, cenário que, se confirmado, compromete a credibilidade das instituições e reforça a percepção de que redes de poder ainda operam nos bastidores do Estado.
O material foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que analisará os próximos passos do caso.
A defesa de Bacellar afirma que não houve qualquer irregularidade e sustenta que as interpretações da PF são baseadas em ilações. Já o episódio reacende o debate sobre a morosidade processual no Brasil: mesmo com condenações que ultrapassam quatro séculos de prisão, um dos maiores símbolos dos escândalos de corrupção no Rio segue em liberdade, beneficiado pelo longo percurso recursal do sistema judicial brasileiro.
O caso amplia o desgaste institucional e reforça questionamentos sobre a efetividade das punições aplicadas a figuras políticas de alto escalão — especialmente quando condenações expressivas não se traduzem, ao menos por ora, em cumprimento definitivo de pena.





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