“Moralização” seletiva? Gestão Ricardo Couto faz gastos do TJ-RJ com penduricalhos saltarem quase 80%
- 23 de abr.
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Com desembargador à frente, medidas de corte no Executivo contrastam com alta de despesas no Judiciário.

Desde que assumiu interinamente o governo do Estado, o desembargador Ricardo Couto tem adotado uma postura de choque: mais de centenas de exonerações, suspensão de contratos, embargo de obras e revisão de licitações. A justificativa é sempre a mesma, combater excessos e proteger o dinheiro público.
Mas o discurso começa a ruir quando confrontado com os próprios números do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
Sob a mesma gestão, os gastos com os chamados “penduricalhos” simplesmente dispararam. Em um único ano, saltaram de cerca de R$ 490 milhões para R$ 878,9 milhões, ou seja, um aumento próximo de 80%. Auxílios de todo tipo continuam sendo pagos, incluindo benefícios que já foram alvo de restrições em instâncias superiores.
Entre os "penduricalhos" estão:
Auxílio-alimentação
Auxílio-transporte
Auxílio-moradia
Auxílio-creche
Diárias
Passagens
Indenizações diversas
Esses valores são pagos além dos salários e compõem a maior parte do aumento expressivo nas despesas do tribunal.
A pergunta é inevitável: onde está a austeridade?
Enquanto servidores são exonerados em massa e contratos são bloqueados sob o argumento de “responsabilidade fiscal”, dentro do Judiciário os gastos seguem em ritmo acelerado. A moralização parece ter endereço certo e limite bem definido.
O cenário se torna ainda mais delicado quando se observa quem foi atingido pelas decisões no Executivo. As medidas recaíram, majoritariamente, sobre estruturas ligadas ao Partido Liberal, grupo que vinha ocupando espaço relevante na administração estadual.
Coincidência ou estratégia?
Em ano eleitoral, a sequência de atos levanta uma suspeita que não pode ser ignorada: o que está em curso é apenas um ajuste técnico ou uma reconfiguração política da máquina pública?
Sem afirmar intenções, os fatos falam por si. De um lado, um discurso rígido de contenção. Do outro, um aumento expressivo de despesas dentro do próprio sistema que deveria dar exemplo.
Quando a régua da moralização não é aplicada de forma igual, o combate aos excessos perde credibilidade e abre espaço para uma dúvida legítima: trata-se de zelo pelo erário ou de uso seletivo do poder em um momento decisivo para o futuro político do Estado?





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