Chefe do Comando Vermelho de altíssima periculosidade passa por cirurgia em um dos hospitais mais caros do Rio
- Redação

- 14 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Alexander de Jesus Carlos, conhecido como “Choque” e apontado como líder do Comando Vermelho em Manguinhos, Zona Norte do Rio de Janeiro, foi submetido a uma cirurgia de vesícula no Hospital Samaritano, em Botafogo, no dia 8 de agosto de 2025. A internação foi autorizada pela Justiça com base na Lei de Execuções Penais, que permite tratamento médico fora do presídio quando a estrutura da unidade prisional é insuficiente.
Choque, classificado como detento de altíssima periculosidade, permanece internado sob escolta policial e deve retornar à prisão assim que receber alta. A situação voltou a levantar questionamentos sobre o atendimento de presos em hospitais privados e sobre a qualidade da assistência médica no sistema penitenciário.
Internação motivada por quadro de saúde grave
O procedimento foi necessário após Choque relatar dores abdominais fortes e problemas urinários, identificados durante atendimentos no Presídio Gabriel Ferreira Castilho. Diante da gravidade do caso e da falta de recursos adequados na prisão, a Justiça determinou que a cirurgia fosse realizada em um hospital particular.
O juiz responsável estabeleceu que a internação deveria ser monitorada por relatórios médicos, com previsão inicial de apenas um dia. Apesar disso, o detento continua internado no Samaritano, hospital conhecido por sua estrutura de alto padrão.
Hospital de luxo no Rio
O Hospital Samaritano, que conta com 130 leitos e serviços como quartos equipados com TV, Wi-Fi, ar-condicionado e poltronas de massagem, chamou atenção pelo padrão de atendimento oferecido. Mesmo respaldada pela legislação, a decisão judicial reacendeu o debate sobre privilégios a presos e desigualdade no acesso à saúde.
Base legal e procedimentos adotados
A autorização para tratamento externo está prevista na Lei de Execuções Penais, que garante assistência médica fora das unidades prisionais quando não há recursos adequados no sistema. O despacho judicial, datado de 11 de junho de 2025, considerou que o presídio não possuía condições de realizar o procedimento. A defesa informou que a determinação partiu do juiz, e não de advogados, e o Ministério Público se posicionou favoravelmente, exigindo escolta policial permanente. A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) ficou responsável pela logística de segurança.
Perfil de Choque
Alexander de Jesus Carlos, o Choque, é reconhecido como um dos líderes mais violentos do Comando Vermelho no Rio. Preso em 2008, na Paraíba, ele foi apontado como o traficante mais procurado do estado. A prisão ocorreu em uma casa de dois andares na Praia de Jacumã, onde estava com a família.
Ao longo de sua atuação criminosa, Choque foi condenado por ordenar execuções e torturas em Manguinhos, incluindo homicídios motivados por disputas de tráfico e tortura de assaltantes. Ele também comandava grupos armados conhecidos como “bondes”, responsáveis por roubos de veículos no subúrbio do Rio. Sua trajetória é marcada por episódios de extrema violência, e sua presença na facção chegou a gerar tensão interna, por atrair operações policiais.





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